• Tatiana Py Dutra

A história de sucesso do champagne

Ao provar um “vinho estragado”, o monge francês Don Pérignon teria dito: 'Estou bebendo estrelas!'. De lá para cá, métodos de fermentação correram o mundo



Se há uma bebida que remete à felicidade é o champanhe, bebida que produzida fora da região da França de mesmo nome é chamada de espumante. Ela é obrigatória nas viradas de ano, nos casamentos e nas formaturas, levando à esses momentos o prazer extra das borbulhas.


Ao provar pela primeira vez o “vinho estragado” que sofria uma segunda fermentação na garrafa, o monge francês Don Pérignon teria dito: “Estou bebendo estrelas!”. O beneditino foi quem mais se dedicou a essa fermentação, conhecida hoje como método Champenoise.


O método de fazer a bebida cruzou o oceano rumo ao Brasil no fim do século 19, e o início da produção nacional data de 1913, quando o imigrante italiano Manoel Peterlongo encheu a primeira garrafa, feita no método Champenoise, em Garibaldi, na Serra Gaúcha.


Mais de 100 anos depois, o Brasil produz vinhos desde o Vale do São Francisco, na divisa da Bahia com Pernambuco até o Sul. E o país se consolidou como terroir de referência na elaboração de espumantes de qualidade, tido como o melhor produto do mundo produzido fora da Europa.


“O espumante brasileiro hoje é feito nos dois métodos tradicionais, Charmat e Champenoise. Em ambos, têm recebido muitas medalhas em premiações internacionais. Já tivemos vários exemplares ranqueados entre os 10 melhores do mundo. Vinícolas como Aurora, Garibaldi, Perini, todas já foram premiadas. Todos os anos um espumante brasileiro se destaca”, orgulha-se o enólogo André Peres Jr, enólogo da importadora e distribuidora Via Brasil.


Mercado doméstico em alta

Segundo o especialista, a principal característica do espumante nacional é o frescor e a alta acidez, que o torna muito adequado para o clima quente da maior parte do país, servido bem gelado. A bebida ainda se concilia muito bem com a maioria dos pratos nacionais, em especial peixes e frutos do mar.


Não é à toa 80% do espumante consumido no Brasil é nacional. Segundo Peres Jr., dois fatores favorecem o consumo interno: valorização e custo-benefício.


“Enquanto que o mercado de vinhos finos é 80% importado e 20% nacional, no espumante ao contrário. Isso se deve muito ao preconceito [sobre a qualidade do vinho nacional], mas também à relação preço-qualidade. Quem mais traz vinho ao Brasil, nossos vizinhos Argentina e Chile, não têm tradição na produção de espumantes. Quem traz são países europeus e o produto é muito caro”, explica.


Apesar de o brasileiro aprovar o produto nacional, o potencial de crescimento é muito grande. Segundo o enólogo, o consumo per capita no país é de apenas uma taça por ano.


“O pessoal brinda o Ano Novo e é só. Nosso desafio é mostrar ao consumidor que espumante não serve só para brindar no casamento, no aniversário e na formatura. Ele pode ser consumido em todos os momentos”, afirma Peres Jr.


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