• Tatiana Py Dutra

Salve a cachaça!

Nobreza do destilado mais popular do Brasil vem sendo resgatada na valorização dos métodos de produção artesanal

Coloração da bebida varia conforme o método de envelhecimento (Foto: Karime Xavier/Folhapress)

Não há bebida que se identifique tão profundamente com a cultura e a economia do Brasil quanto a cachaça. A bebida destilada nasceu praticamente junto com o país, dentro do ciclo da cana-de-açúcar, chegando inclusive a servir de moeda de troca para compra de escravos no século 16, conforme escreveu Alessandra Trindade, no livro "Cachaça, um amor brasileiro".


Hoje, 70% do volume de destilados consumida no Brasil é cachaça, o que equivale a 70 milhões de caixas de 9 litros. Porém, nos anos 1960 e 1970, a feitura artesanal de caninha em alambiques foi sendo substituída pela fabricação industrial. A produção em grandes volumes (são 1,2 bilhão de litros/ano) barateia o custo ao consumidor final, mas pode comprometer a qualidade da bebida. E foi assim que a velha aguardente de cana ganhou má reputação e certo preconceito se criou contra ela.


Mas a bebida passa por um processo de redescobrimento, conforme conta Luis Henrique Munhoz, diretor da Natique Osborne - empresa responsável pela Cachaça Saliníssima. No final dos anos 1980, começou um movimento em Minas Gerais e depois em São Paulo, que começa a valorizar a cachaça histórica de engenho e seu processo de fabricação, que garantia a qualidade mais elevada do produto – que não tem nem cheiro nem o sabor alcoólico que caracteriza o produto industrializado.


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Com o tempo, os restaurantes começaram a incluir as cachaças nobres em suas cartas de bebidas. Começava o processo de reconquista do consumidor, que caminha em processo lento, já que as cachaças mais caras enfrentam a concorrência de outros destilados mais familiares ao consumidor brasileiro que a bebida nacional.


“Em termos de mercado, ainda estamos engatinhando. As garrafas de maior valor, que custam R$ 25, R$ 30, representam 2% do mercado [em vendas]. No mercado Premium, cujas garrafas saem acima de R$ 50, a gente perde para uísque, vodca e até para o gim”, comenta Munhoz.


Dia Nacional da Cachaça


Desde 2009, o 13 de setembro é considerado o Dia Nacional da Cachaça – referência à data em que a Coroa Portuguesa legalizou a venda do produto, antes clandestina, em 1661. A ideia é que a efeméride sirva para atrair a atenção dos brasileiros ao produto. Para Munhoz, ainda é preciso mais.


“O que falta agora são duas grandes coisas: comunicar melhor ao consumidor sobre a diferença entre as cachaças [comum e nobre] e investimento. Precisamos de um player que invista em propaganda, que comunique, com ações no ponto de venda, bar, mercado, restaurante. Isso precisa de dinheiro”, diz.


E se esta história toda deixou você com vontade, confira a receita de drink de uva com hortelã do Tatu Bola Bar, de São Paulo. Um dos ingredientes é a "marvada”. Mas das boas!


Caipirinha de uva e hortelã

Ingredientes

  • 5 uvas Niágara

  • 5 uvas Itália

  • 8 folhas de hortelã

  • 15ml de xarope de açúcar

  • 60ml de cachaça

  • Gelo


Modo de preparo

  1. Colocar todos os ingredientes, exceto a cachaça, no desejado copo com gelo e macerar

  2. Em seguida, adicionar a cachaça e finalizar a bebida misturando todos os itens com uma colher bailarina.


#natiqueosbourne #cachaça #destilado

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